O tesouro aberto do TSE: como dados públicos viram estratégia de campanha
Poucas pessoas se dão conta: o resultado de toda eleição brasileira é público, aberto e detalhado até o local de votação — a escola onde cada urna ficou. O TSE publica tudo. E ainda assim a maioria das campanhas decide no achismo, porque entre o arquivo bruto e a decisão existe um abismo chamado engenharia de dados.
O dado existe; a leitura, não
Os repositórios do TSE entregam milhões de linhas por eleição: seções, zonas, candidatos, turnos. Abrir isso numa planilha trava o computador — e trava a análise. O trabalho de verdade é estruturar: normalizar municípios e zonas, cruzar com a base territorial do IBGE, agregar por bairro e transformar coordenada em mapa. Foi esse abismo que atravessei ao construir o VotosTSE.
Por que o local de votação muda o jogo
Saber que um candidato fez 40% na cidade é retrato; saber em quais escolas ele fez 70% e em quais fez 12% é diagnóstico. É a diferença entre “precisamos crescer” e “precisamos crescer NESTES cinco bairros, onde a abstenção foi alta e o adversário não tem base”. Mapa de calor não é enfeite — é a versão visual de uma decisão de alocação de recursos.
O cuidado que dado eleitoral exige
Trabalho apenas com dados agregados e públicos — resultado de urna, nunca opinião individual de eleitor. A granularidade máxima é a que o próprio TSE publica. Essa linha é inegociável: inteligência eleitoral séria se constrói sobre transparência pública, não sobre vigilância.
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